Enquanto a carnificina causada pelo ataque israelense à Faixa de Gaza nos enche de horror, tristeza e indignação, um fato nos obriga a nos manifestar: a destruição da Universidade Islâmica de Gaza. Assim como as universidades católicas e pontifícias em todo o mundo, a Universidade de Gaza é uma instituição dedicada ao ensino e à pesquisa acadêmica. Devido à negação ao acesso e compartimentação da vida nos territórios palestinos, a Universidade Islâmica tornou-se ainda mais importante para a população jovem de Gaza, impedida de cursar faculdades na Cisjordânia, em Israel ou no exterior, inclusive quando são aceitos como bolsistas.

A Universidade atende mais de 20.000 estudantes, 60% dos quais são mulheres. Formada por 10 faculdades, oferece cursos de graduação e pós-graduação em educação, religião, arte, comércio, direito, engenharias, ciências exatas, medicina e enfermagem.

Usa-se o mesmo sofisma com o qual se ataca o povo de Gaza: os estudantes e os professores da Universidade seriam do Hamas, o mesmo pretexto dos regimes fascistas para decretar a morte da cultura. O que querem é a morte da memória, da história, da identidade do povo palestino.

Condenamos toda violência e lamentamos cada morte, seja em Israel, seja nos Territórios Palestinos ocupados ilegalmente por Israel. Mas não podemos aceitar calados que seja lançado literalmente aos escombros o direito à educação, à dignidade, à vida nessa pequena faixa de terra onde há décadas a população vive na mais absoluta negação. Ao atacar o direito à educação e à cultura em Gaza, coloca-se à prova a educação e a cultura mundiais.

Arlene Clemesha, FFLCH/USP, Emir Sader, LPP/UERJ e USP, Mamede Jarouche, FFLCH/USP, Michel Sleiman, FFLCH/USP, Mona Hawi , FFLCH/USP
Safa Jubran, FFLCH/USP


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1 comentários:

  1. Irônicamente, se trágico não fosse, parece-me que têm artigos mais importantes para se comentar...
    Saudades da rapaziada das décadas de 60/70, quando o Brasil vivia sob um regime ditatorial, contra o qual esses bravos jovens se insurgiam!

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